Julho 2009


Me considero uma pessoa desprendida.

De valores, de conceitos, de julgamentos. Pessoas, lembranças, fatos de lugares, de situações, de soluções, de problemas.

E por essa forma de ser, saudade é uma coisa que não pega de jeito. O peso que ela faz é  suficiente e saudável. Aquela q ue todo mundo sente; a vontade do cheirinho de casa, do colo da família, do abraço de alguns amigos. Mas que não te machuca.

Porém… não só de saudade se prende a humanindade!

img china 7

Em pouco tempo considerável, me surpreendo sentindo nostalgia de lugares. Peguei um ônibus dia desses e passei na frente de um parque público que não via há bastante tempo. Desses aqui em Shanghai, não tão comuns, mas sempre com as mesmas personagens: um senhor caminhando de costas, um engraxate fazendo seu trabalho, a mãe segurando uma criança em qualquer lugar fazendo… é… (sem o mínimo pudor, aqui você vê a mulecada fazendo suas necessidades a céu aberto a qualquer hora, em qualquer lugar!), uns vendedores de pipas e um outro senhorzinho num passo curto e leve por tanta idade, preocupado apenas por chegar no passo seguinte.

cavalherismo, sempre!

cavalherismo, sempre!

Esse último senhorzinho, eu sabia que se tratava do mesmo que eu tinha visto da última vez. Sem perceber, trocamos as mesas palavras por um sorriso.

Foi como dizer: “ah, você denovo aqui! Até a próxima e vá em paz!!”

Com todos os problemas comunicatórios aqui na China, conversamos e traduzimos   o   que queríamos dizer. Logo o ônibus saiu no sinal verde, e ficou a vontade de  reencontra-lo qualquer dia. Tudo que, referente ao sorriso, era a falta que o próprio me fazia e que na verdade o que me prendia era aquela   simpática pracinha que me chamava atenção.

Descobri que não sou tão desprendida quanto pensava.

Lugares são coisas que prendem. Temos um pézinho(descalço!) no quintal de casa. Outro naquele longo e chato caminho pra aquele destino cansativo de sempre, a varanda da casa do seu melhor amigo, e tanto do que faz parte dos nossos dias que não nos damos conta!

lugares

cheiros

situações

pessoas

Não importa do que se trate mas de como se cura! E dessa doença, eu vou vivendo com menos dor, me tratando com doses “cavalares” de lembranças em companhia da galera conterrânea!

Do mais, me despedindo novamente, agradecendo antecipadamente e esperando-o ansiosamente!

Por ora, só!

Beijos,

Carol

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Cheguei em casa há 2 meses mais ou menos. Pulei no colo da mamãe, curti o abraço do papai mas principalmente redescobri meus irmãos!

A uma certa idade, agente se distancia muito deles pela diferença de um, dois, quatro, seis, não importa quanto anos são. O fato é que aquela linhazinha que separa fases de crescimento, também é a mesma que define precipicios de distancia dos seus irmãos.

Tenho uma irmã de 17, e um irmão de 14 quase 15 anos. Da Dani tenho 4 e do Jean tenho 6 anos de diferença.

vossas altezas!

vossas altezas!

Quando entrei na minha adolescência, a Dani continuava lá na casa de bonecas e isso gerou brigas horrendas do tipo “mãe, ela não quer ser a barbie!!!”. Meu irmão, no video game. Mais tarde, era “Mãe!!! A Dani pegou minha calça e meu sapato sem pedir!!!” (e mesmo pedindo, não aliviava nada).Jean, video game. Um tempo depois, a encrenca era “Mãe, a Cacá não quer me levar pra sair na festa do colégio dela!!”. Jean-videogame. E assim por diante… O tempo passando, agente crescendo e a vida ganhando peso.

dani e eu!

dani e eu!

E aí foi, que as responsabilidades se equipararam e agente vivia em função de cumprir com elas. E isso se estendeu por anos. Enquanto estávamos ocupados demais com nossos mundos particulares, o convívio dentro de casa passou a ser raro, e quando estamos assim, olhando só pra frente, não paramos pra dar uma olhadinha no beliche de baixo e ver quem está todos os dias por ali!

Depois (e ainda bem que agora) agente redescobre eles! E é um barato!

Poxa! Quando cheguei na rodoviária da minha cidade, depois de dois dias entre vôos, escalas, aeroportos, rodoviárias e onibus e fui recebida pelos braços de um mulherão e um homem de voz grossa que não eram meus pais, mas caramba!… meus irmãos, foi um maximo!

doutor jean!

doutor jean!

Foi tão diferente os ver assim, de longe, como alguém que volta do outro lado do mundo e depois de tanto tempo!…(e estranho ver o resumo de um período estampado em alguns (vários) centímetros a mais que os seus)(…)

No carro, pra casa, fomos conversando e acelerando os temas que seguiriam nossos papos em casa, desde as urgências até os arquivos confidênciais…Com cara de boba e coração transbordando de saudade foi encantador os ter do meu lado denovo.

É sentir parte de você mesmo, tocar pedaços próprios e o mais bacana: se enxergar e se encontrar neles!

O pedaço que me faltava, a parte incompleta se reintegrou agora. E reconfortada pelo dengo de casa, boa parte da insegurança e incerteza por voltar a tudo que havia deixado, ficaram lá na rodoviária junto com tudo que não servia mais!

De tanto tempo que não escrevia por aqui, resolvi recomeçar por algo significante!  Do muito que ainda tenho que atualizar, vou me despedindo deixando meu grande beijo à todos e especialmente à Dani e ao Jean, que sem eles, meu mundo seria bem sem graça!

 

infantes!...

infantes!...

Por agora só, mas daqui a pouquinho mais!

É muito bom estar de volta!

Um grande beijo!

Carol