Ca(s)os da China


Impaciência

Irritabilidade

Indisposição

Junte tudo ou se manifeste com uma pequena porcentagem de algumas dessas qualidades citadas acima e tenha um dia bem longo pela frente.

Claro que existem pessoas com diferentes graus de tolerância e com diferentes maneiras de lidar com esse tipo de situação, mas se existe uma coisa que é inevitavelmente contagiante, é MAU HUMOR.

Você acorda, só acorda, e já sai distribuindo doçuras pro travesseiro. Lava seu rosto e comemora pro espelho a água fria de manhã, tropeça no degrau da escada e solta uma penca de flores, queima a boca com seu café quente e libera seu mais encantador sussurro. Mas na verdade, o que voce realemnte anceia é encontrar seus companheiros de trabalho, seus “amigos” (sim, porque nessa hora você os considerará “amissíssimos” para tanto) para despejar ou no mínimo dividir com eles toda essa sua alegria de viver!

(…)

Eu nunca fui de levar as coisas muito a sério. …Mentira! Na verdade aprendi agora desconsiderar e não dar atenção pra muita coisa, mas tem vezes que a coisa passa da linha de segurança, e é preciso  fazer uma exclamação como essa aqui para recolocar as coisas no eixo.

Se tem algo que não suporto é estupidez. Estupidez é tudo aquilo que não cabe em lugar nenhum e você enfia na primeira oportunidade que têm como forma de dar o troco do que não existe. É desnecessária, exagerada, arrogante e sempre, sempre acaba machucando alguém.

Tá. Nossa vida é uma loucura. É isso que me diz, não é? Correria, compromissos, obrigações, horários… tá. E ai? Até onde isso equivale seu humor? Até onde isso compromete seu estado de espirito?  E pior ainda, ate onde vai culpá-la (a dura vida que se tem) por isso?

As pessoas da nossa vida fazem parte dela em mais ou menos grandeza porque assim permitimos e com o pedaço que disponibilizamos. Isso não as deixa de todo como integrantes dela, mas se fomos nós que as escolhemos, porque não ter o mínimo de cuidado?

O negócio acontece quase como um empurrão, sabe? Você chega com velocidade, abre caminho e dá um empurrão com intenção de assustar e intimidar. Sem perguntar pra esses semi-proprietários do seu convívio se estão afim de tomar do doce que você tomou, você vai lá e da de graça mesmo! Entende-se isso como um incrivel poder de solidariedade? Não! Como pobreza de senso, ou descontrole, como preferir.

Então, previna-se! Sentindo o menor incômodo ou desassossego, desamarre os sapatos, afrouxe o cinto e respire fundo. Ninguém precisa engolir sapos ou aguentar desatinos. Mas os seus serão tão insuportaveis quanto! Por isso relaxe e viva com menos pânico. Pânico da obediência que criamos pra nós mesmos e, segure sua onda! Seja egoísta e respeite espaços delimitados por uma única linha: educação!

Não é fácil viver em sociedade mesmo, mas há de se fazer o que:? Normalmente é agente que porcura esse ambiente mesmo!… O grupo, a sociabilidade, o compartilhar idéias, a distribuição de tarefas. Mas, guarde o resto pra si! Os rancores com o mundo e os problemas inventados sáo pesados demais pra se arrastar até o prósimo pra quem você quer entregar. Dispense-os no caminho até lá.  E se, mesmo assim não conseguir, abra a porta do quintal e dê um grito bem grande. Lá, quem quiser se aproveitar dele como um estímulo pra dar uma sacudida no dia, vai caber direitnho e fará bem aos dentes! E aí o seu dia terá servido pra alguma coisa de fato!

“Preocupação (pré-ocupação) é igual mascar chiclete pra resolver uma equação de álgebra” – Pedro Bial, Filtro Solar

Do mais, tudo em paz!

Por enquanto, só (porque agora eu tenho acento no teclado! ufa)!

Um beijo e um grito na varanda!

Carol

P.S.: Ah! Parte bem pequena, mas parte signifiante e conclusiva desta obra, é de autoria de Pepê Mansano.

O “estímulo” a Pepe deu! rss

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Hoje. Com muita coisa a dizer.

Faz tempo que nao me dava um ataque de revolta. Daqueles que eu tinha ouvindo Cazuza, Legiao e Gabriel o pensador. Mas passando um pouco dessa fase “mudar o mundo”, hoje me revoltei (mas ja me reconciliei) com coisas que me revoltavam ha um tempo atras que eram mais proximas a mim do que a guerra do Afeganistao por exemplo.

La em casa ninguem nunca precisou falar (apesar de ter sido varias vezes dito) que independente de qual profissao seguissemos apos terminados os estudos, fariamos uma universidade. E nao importa se o plano fosse ser picoleiro ambulante, iriamos fazer faculdade e ponto.

Enfim, passou que, acabado meu 3* colegial eu como primogenita, tinha escolha na base de uma democracia familiar:

.1 Terminar o colegial e comecar uma faculdade

.2 Terminar o colegial, comecar um cursinho pre-vestibular e no ano seguinte, comecar uma faculdade.

Dentre tantas opcoes, resolvi inovar: fiquei com comecar logo uma faculdade…

Meu objetivo sempre foi ser bailarina e ainda luto muito pra isso – sim, porque eh uma luta! – E desde entao, todas as minhas atencoes estavam voltadas soh pra isso.

Ballet eh uma arte cara. Se pretende ter resultados, opte por profissionais qualificados, e isso lhe sera bem caro. Nunca tive condicoes financeiras pra entrar numa escola ou academia de danca. Isso explica minha iniciacao tardia. Porem na minha cidade entre tantas coisas que tenho a reclamar, foi onde tive oportunidade na Escola Municipal de Artes, que se iniciou em 2001, de entrar no meio.

Mas voltando a epoca da faculdade: -Fazia de 3 a 5  aulas de ballet por dia, me enfiando em projetos, cursos, oficinas, viajens a Sao Paulo (nada perto de Rio Preto, 5 hs de viajem) alem de ser professora de ballet nos lugares mais loucos que voce pode imaginar.  Amo essa vida e sera impossivel nao carrega-la pra onde for.

So que, danca eh um negocio complicado. Ou voce vive pra ela e ponto se quer chegar onde pretende ou fica pelo caminho. Sem contar que estamos falando de um meio mais complicado ainda. Artista ja tem um serio problema de estar sempre acompanhado. Se pega um voo por exemplo, tem que pagar por duas passagens: uma para si mesmo, outra para o ego. Bailarinos no geral pagam tres (…).

Mas isso sao coisas superficiais que sabendo lidar, incomodam mas se tira de letra. So que como se trata tambem de um esporte, nao se pode parar. O corpo perde rapidamente o que levou anos para conquistar.

Eu nao queria fazer faculdade naquele ano. Queria um ano para dedicar ainda mais. Queria usar 24hs do meu dia fazendo aulas, ensaiando, estudando variacoes e todos os estilos possiveis. Estava cheia de oportunidades e comecando a ser notada em varios lugares. E alem do mais o que eu queria de fato do mundo universitario, era Jornalismo ou Cinema. Coisas que nao existem em Rio Preto e que tomariam integralmente meu tempo. Coisas com o que eu nao queria dispor especificamente ‘naquele’ momento. Acordava ballet, dormia danca.

Maaasss como disse, por livre e espontanea pressao, optei por Educacao Fisica. O curso que teria mais proximidade com danca. E esses “ia” sao terriveis.

Que cursinho mais nada-a-ver-comigo da face da Terra… Claro que existem excelentes profissionais no ramo e estudantes comprometidissimos, mas a grande maioria sao filhinhos de papai que gostam de jogar bola ou marombadinhos de academia que frequentam a universidade como extensao da balada do fim de semana… Ai chegada a hora, mesma que a minha, que pra nao pedir dinheiro diretamente pro pai, fazem uma troca de favores: – “Ta pai: voce paga, eu estudo, e ai voce continua me dando mesada. Mas ninguem precisa saber da parte da mesada, ta?”

Eu, detestava o curso. Tirando a parte pedagogica, educacao infantil, sociologiga e fisiologica que gostava bastante, do resto ficava me perguntando o que eu estava fazendo ali?! Aula de Teoria do Futebol!… Aula de Teoria do Basquete?!… “Caramba o que eu estou fazendo aquii????”

Eu dava aula a tarde toda. No fim da tarde ia para meu retiro espiritual que era a Casa de Cultura, onde soh saia de la depois de todas as aulas feitas com o meu Maestro Juan Suarez, e depois das 23hs. Entao optei pelo curso diurno, claro. Acordava cedo com um baita bico quilometrico e ia pra Faculdade arrastada, afinal de contas eu pagava a mensalidade… Chegava la muitas (quase todas) vezes assistia 15, 20 min de aula, me enchia a paciencia, me retirava e ia pra biblioteca. Pegava o livro que nao tinha terminado no dia anterior e devorava! Da Revista Superinteressante ao Estadao, de advocacia a teologia. Fiz tanta amizade com a galera da biblioteca e conhecia tanto aquele lugar, que tinha uma prateleira organizada por mim e se se atrapalhassem pra achar alguma obra, eu ia la na prateleira certa e encontrava.

Voltava pro intervalo com a galera, pegava a materia da aula anterior e voltava pra mais 20 min de tolerancia na sala de aula. E o pior, nunca tive problemas com notas… nao que eu seja super dotada nem nada disso… eh que sabe como eh neh? Graaannde universidade e tal.

Nessa passei dois anos. Minha paciencia foi pro saco, ganhei intolerancia e um mau humor que nao cabia mais.

Eh fogo (pra nao falar um palavrao). Agente, mesmo que independente, responsavel, “crescidinho”, sempre tem algo que nos deixa ligados interruptamente com nossos pais. Pra alguns mais outros menos, sempre temos o que nos prende ou o que no minimo nos faz repensar. O problema eh quando isso comeca a nos bloquear de uma serie de coisas e acaba nos deixando amarrados no portao de casa.

Era um acordo silencioso que estava definido:

-Ok, eu faco a Universidade tao sagrada, e continuo no ballet.

ou

-A sua prioridade eh a faculdade. Se nao cumprir com ela, vamos complicar muito suas “outras” coisas.

La em casa, sempre fomos estimulados a fazer o que gostassemos, mas de todo nao era bem assim! Era mais pra fazer o que gostassemos soh se aquilo fosse 100% garantia de uma vida estavel e segura. E esse tipo de coisa nunca me pegou muito nao.

Eu tinha duas coisas muito claras na cabeca: se eu nao fosse mandar pro saco 2 anos de Ed Fisica, largar tudo e me mandar pra Sao Paulo no final daquele ano (onde ja tinha trabalho e agilizado varias coisas pra me manter la), iria mandar pro saco 2 anos de Ed Fisica, abandonar danca e comecar o curso que eu queria de fato.

Ai deu no que deu… Larguei tudo o que ja estava me fartando: Uma faculdade frustrada, decepcoes com a galera do meio, esse mal humor que nunca foi meu, um namoro que arrastado que so me atrasava e me mandei pra ca!

Na primeira bambeada de duvida se aceitava ou nao essa proposta de trabalho, me joguei. E ja disse e digo de novo: foi o melhor coisa que eu poderia ter feito! As coisas que ganhei e estou vivendo aqui sao impagaveis! Desde de grana, experincia a consciencia. Essa, a mais valida!

Nao culpo meus pais de maneira nenhuma. Sei que toda essa pressao que talvez so eu sentisse, eh cuidado em excesso, pura preocupacao e pretensao de fazer a coisa certa. De dar aquela equivocada ideia de “caminho certo” ou “emcaminhada certa”.

Sai do colegial com 18 anos. 18 anos! Me diz o que voce sabe, o que quer da vida com 18 anos? Ta, agente sabe (eu, bailarina). Mas e dai? E ai?

Eu acho que todo mundo tinha que terminar os estudos e ter um ano pra colocar a cabeca no lugar. Que isso fosse parte do curriculo escolar, sabe? 

-Para concluir o ensino medio o aluno devera cursar um ano e ser aprovado nas seguintes disciplinas:

 >”pensar no dia seguinte”,

>”pensar o que quer pra sua vida,

>”pensar no que nao quer pra sua vida”

>”pensar em fazer coisas que te deem prazer (prosissionais hein?)” 

>”arrumar um dragao de estimacao” (essa fica por minha conta).

Ensino superior eh um fato e mais que necessidade. Alem de tudo que ja sabemos, te abre para novos horizontes. Ate fazendo um curso avesso ao meu gosto, tive retornos incriveis. Imagina fazendo o que gosto?

Eu sou um problema e isso tambem eh um fato. Agora vejo tudo com outros olhos. Nao, eu nao vou contradizer tudo o que disse ate agora!

Agora eu nao vejo a hora de voltar pro Brasil, pra prestar um vestibular e fazer o que queria realmente! Sinto uma falta, um buraco enorme de ler, ler, ler, ler, ler (sendo aqui um tanto quanto dificil conseguir ler alguma coisa), estudar, estudar, estudar, estudar, pesquisar, pesquisar, pesquisar.Me enfiar de cabeca num projeto, sabe? Produzir, render, estampar ideias, escancarar conceitos, enfim. Tenho sede dessas coisas novamente, e sei que isso vai me levar devolta pra sala de aula assim que pisar na terrinha, com todo prazer!

Nao tenho pensado em outra coisa… Foi igual quando cortei meu cabelo curto: – Primeiro pensei a respeito. Depois, passei a pesquisar sobre. Depois pensei seriamente sobre o assunto. Depois, alisei o cabelo. Depois, fui lah e cortei!

Sobre tudo isso que ja falei, pensei, pensei seriamente, alisei o tema…

 E agora, soh falta mudar o corte de novo! …

“Ten cha”!

Ola a todos!

Quero desde ja agradecer a todos pelas visitas e recados que deixaram aqui! Fiquei muito contente de verdade e acreditem, fiz com muito carinho! Cada palavra foi pensada e escrita de todo coracao! Obrigada mesmo! E ah! Estou ainda em fase de reconhecimento de territorio, mas breve a estrutura do blog estara completa! Informacoes, links, fotos e videos pessoais, sugestoes, traducoes e afins! Chegaremos e breve la! Mas vamos, vamos…

E o que tenho pra dizer hoje, tem a ver de onde e como elas, estas palavras, me vieram!..

Use o ultimo slogan da Cred card: .”..nao tem preco.Tem coisas que o dinheiro nao compra!” para sublinhar o que vou dizer! Ta… piegas, mas uso assim mesmo!…

Moramos todos (nem tantos “todos” assim de uns tempo pra ca) juntos em Shanghai, numa casa grande, bem divida e que eh a nossa casa “fixa”. Pra onde sempre voltamos cada um de suas viajens que por vezes duram um ou dois meses em outras cidades, por exemplo.

La, temos um esquema de divisao de quartos. Rapazes em duplas em dois quartos, e garotas em duplas em outros mais. Como o grupo diminuiu e os rapazes ja nao estavam mais, os quartos sendo bem espacosos como sao, os dividimos em mais pessoas. Agora seis meninas, em dois quartos.

Divido minha vida, porque esse eh o termo correto mesmo, com a mesma amiga desde o comeco. Nos damos muito bem. E claro, agora tudo ja esta pior que uma grande irmandade entre agente! Problemas, risadas, casos, fatos, intrigas, angustias.  Tudo dividimos do comeco ao fim e isso se torna tao comum, que nem percebemos o quanto ja fazemos parte da vida de outra pessoa e vice-versa!

Porem, algo me perturbou por esses dias.

Nao estou em Shanghai. Estou em Loudi, uma cidadezinha bem  interiorana, daquelas que todo mundo se conhece (que estrangeiro vem de nave espacial de uma galaxia distante, a proposito) e todo mundo se encontra na pracinha no fim de tarde, sabe?  Estamos instalados num hotel, talvez o unico daqui. E como nao havia quartos para tres pessoas, deixaram duas de nos num quarto duplo, e eu, como ca estou num quarto de casal, sozinha.

E caramba! Como nao percebi que estava precisando de solidao. Ou  individualismo, no bom sentido.

Agente, mesmo que nao tenha muito consciencia disso, temos nossa propria estrategia de organizacao diaria. Por exemplo; voce acorda e sabe que vai escovar os dentes (afinal de contas voce eh brasileiro, isso eh um habito, assim espero), depois vai tomar o seu cafe ou nao, sabe que depois vai ter um tempo ocupado ou nao antes do seu almoco, sabe que depois vai na academia, volta ao seu trabalho, adiantara algo em especial, resolvera problemas rotineiros, enfim, sabe que depois vai estar com fomee vai sacia-la, ou vai ter que dribla-la para sua dieta funcionar hoje, depois vai continuar fazendo coisas interessantes ou nao, vai ver internet, comecar sua carga horaria de trabalho, sair para a balada, chegar em casa, sentira cansaco, refletira que teve surpresas no seu dia ou nao e dormira. Ha quem diga que nao gosta de rotina, que nao planeja seu dia como eu por exemplo, mas o fazemos inevitavelmente. A ordem dos fatores nao alterara o produto e nem como constatara talvez inconsciente como eu, que seu dia passou.

Com a velha desculpa que tanta coisa acontece ao nosso redor, nos acostumamos a nao nos atentar a essas minucias e vamos fazendo do dia-apos-dia, uma “osmosidade” em cadeia. Passei a  sentir que muita coisa de mim tinha se esvaido mas nao conseguia saber o que, nem como.

Nesses primeiros 5 dias que estou aqui ‘nesse quarto tao profundo’, aproveitei para abrir a percepcao e entender o que estava de diferente e me pertubando. Depois de tanto tempo, quase um ano dividindo sempre minha intimidade com outra pessoa, estranhei estar denovo sozinha. E tinnha esquecido de como eh isso eh bom! E pra mim, mais do que uma necessidade.

As vezes la em casa, sentava na frente do meu computador e tentava achar alguma coisa ou motivo pra escrever e nao me saia nada… Era a amiga que entrava, a outra que batia a porta, outro que fazia uma piada, um comentario que surgia, um pedido de sugestao do que vestir, do que fazer, que horas sao, etc. Isso nunca me incomodou, muito pelo contrario. Dava uma dinamica e uma certa vida pra aquele comodo. Mas eu nao entendia que me  sentia meio oca, sabe? Faltando espaco no meio de tanta ociosidade que cabia dentro desses momentos.

E poxa! Como eu amo meu espaco. Fisico nao, porque nao terei tempo de gostar  daqui, dessas paredes, da cama, do espaco entre ela e o computador. Mas eu nao lembrava de todas as delicias que envolve tomar um banho de porta aberta!

Acordo com meu despertador, ligo meu som, ponho aquela selecao de musicas  – as musicas-da-Carol-que-soh-ela-gosta – desperto devagar, tomo meu cafe (nescafe, por que estou aqui afinal), leio meus emails, vejo minhas mensagens, mando recados, me forco a desligar o computador, organizo minhas coisas e abro os sentidos. Abro minha janela, observo o movimento, escuto os sons, sinto os cheiros das fumacas direntes, calco meus tenis e pico a mula! Dou uma voltinha no quarteirao, vou ate aquela praca que eh um encanto ali do outro lado da rua. Me sento, me divirto com a distracao das pessoas, pego a volta e vou fazer o almoco.  E acho tudo isso um maximo! Nesse momento egoista esqueco de tudo e so curto o silencio que faco e fico! E nao divido com ninguem!

Ai, retomo minha vida social no preparo da comida.  Onde,  adoro cozinhar pra amigos,  e aproveitamos para atualizar os muitos casos e novidades desde a ultima noite, rs. Nos retiramos e venho empolgadissima pra encontrar o nada que me espera. Uaaau! Entro no quarto, religo o computador e ja tenho varias impressoes de uma ‘metade de um dia inteiro’. Assisto meus companheiros, meu videos amados que nao canso de ver, desligo o computador e respiro o ar que ai esta  soh pra mim! Que barato!Ponho meus tenis denovo, e vou pra academia. Hoje, uma das meninas estava com dor de estomago e a outra, quis ficar e entao fui “sola”.

Ah! Nunca vi tanta coisa nova na mesma rua velha antes! Andei ao meu passo apressado de sempre mas com outro peso. Chegando la, fiz meu treino, fiz minha aula de ballet como ha teeeempos precisava. Depois de umas boas 3 horas, voltei feliz da vida  pra casa.

Cheguei, uma outra selecao de musicas – essa diferente da primeira: musicas-da-Carol-que-ninguem-sabe-de-onde-ela-tira -, nos auto-falantes! Pois eh! Nada de fones de ouvido! Caixinhas de som ja! Liguei o chuveiro e banho mais uma vez de porta aberta com direito as conversas que tenho comigo mesma em alto e bom tom e algumas cantorias! Sai, me vesti, recados pra mamae, uma sapiada pela rede, a ideia do tema jogada na caixa de rascunhos, maquiagem, figurino e sapatilha na bolsa e bora pro lavouro. Outro encontro social no saguao do hotel, camarim e palco com as meninas, mais atualizacoes, reverancee, e volta para meu delicioso pequeno!… Outro banho, outra prosa comigo durante ele, e ca estou!

Ah!… Se digo que ha coisas que o dinheiro nao compra eh porque hoje essa frase me basta. A cada dia que tenho passado comigo mesma estou me namorando mais e mais! Amado cada detalhe que me pego presa novamente e cada deles que me voltaram! Tenho feito mais ou mais (porque nao eh menos) a mesma “desrotina” esses dia. Mas hoje foi o estupim! Fiquei muito contente em ter por exemplo escrito o texto anterior que me veio como graxa no portao: deslizando no teclado e que ha pouquissimo tempo atras nao saia de jeito nenhum! Voltei a pegar meu papel e lapis que ainda sao meus favoritos em horas como essa, escrevi cartas que sao realmente a minha praia, pra amigos tao queridos que queria ter escrito a tanto tempo mas que dizia pra mim mesma que nao tinha tempo!

E o tempo, na verdade, esta aqui. Correndo no reloginho digital aqui no lado direito inferior da tela, como sempre o fazia e na mesma cadencia. Mas agora ja o revejo a meu favor e se adequando a meu gosto!

Feliz da vida com meu modesto mundo, nao tenho reclamacoes ou tempo ruim. Por vezes andava meio emburrada ou nervosa com um ‘o que’ desnecessario que agora sei que na verdade estava era carente de mim mesma! E como sou carinhosa! rss

Daqui ha uns dias, uma semana ou pouco mais, voltamos a Shanghai. Retomamos nossa privacidade compartilhada assim dizendo, mas eu, revitalizada e com outros ares! Nunca mais deixo de me telefonar ou mandar flores no todo dia segunte! Fechar as portas do meu pequeno-grande mundo pra mudancas e reformas, mas me esquecer la dentro por uns tempos, ja passa a ser compromisso e nao deixo de fazer mais! rs

Perder o vazio eh empobrecer! E ainda tenho muito e ganhar!

Um grande beijo pra mim,

mas um bem maior pra voces pro proximo dia em que estiverem ai sozinhos com suas sentencas!

Divirtam-se e pasme! Eh cada coisa que descobrimos!…

Boas reflexoes!

 Um muito xie xie (obrigada) e ate as cenas do proximo capitulo!

 

Por hoje chega! Eu-mesma esta pedindo atencao! Com licenca!

Beijos!

ni hao!… ni hao ma?

Depois de inúmeras tentativas de resgatar meu antigo blog, passo definitivamente a usar o wordpress (ate o próximo problema conectivo claro! rs).

Bem, vamos ao motivo que me faz retomar, nossa prosa de cada dia.

Em maio, completo um ano de China – como passa o tempo! – E pode ter certeza que isso já bastaria para motivo de comemoração.

Vir pra cá é (desculpem, teclado chinês!) por em questão todos os seus valores. Mas ainda assim insistir em ficar, é atestado de bravura (ou de que algo não lhe anda bem!).

Aqui é tudo… chinês. Depois de um tempo, você acaba associando  que “chinês” serve também como um adjetivo. Quando não conseguir definir se certo ou errado, bom ou ruim, bonito ou feio, se fácil ou difícil, se normal ou bizarro, você diz ‘ chinês’ e tudo fica mais fácil de entender.

Esqueça tudo o que sabe ou, no mínimo imagina. Quando cheguei, esperava encontrar uma cidade grande, bem delineada, com uma arquitetura limpa,  um ar “calado” pelas ruas, aquelas casinhas tradicionais chinesas com seus chinesinhos de bigodinhos sentados a frente, aquelas lanternas enfeitando as calcadas, ideogramas pintados quase como orações e alguns dragões soltos pelas praças (ta… os dragões são só coisas que eu insisto acreditar, mas deixa pra lá); e é engraçado como tomamos essas idéias precipitadas, né?  E que decepção… os dragões não estavam lá!

"...ou você tem ou você nao tem!"

"...ou você tem ou você nao tem!"

No lugar de tudo isso, vi gente, mas muita gente nos mínimos e mais impossíveis centímetros que você possa imaginar.  Cores, por todos os lados e em todas as combinações; nos muros, nos telhados, nos cartazes, nos automóveis, vestidas nas pessoas, calcadas nos pés, pintadas no cabelo e opacas no céu. As idéias (ou protestos indiretos) ansiosas por se escandalizarem não seguem muitos critérios quando o assunto é chamar a atenção. Se você acha brega aquele casaquinho florescente da sua avo,  aquela meia-fina listrada da sua mãe, aquela plataforma colorida que você não sabe como teve a coragem comprá-la ha dois anos atrás, vista tudo e desfile pelas ruas de Shanghai! Pois ainda te faltara “ousar” no penteado!

Ruídos, barulhos, sons, musicas (ou o que se entende por) no transito, nas ruas e por qualquer lugar que se ande é constante! Aqui, não se para nem debaixo de um temporal no que se esta trabalhando. Com um ano aqui já vi a finalização de muitos prédios que talvez demorassem 5 para limparem o terreno no Brasil. o que esta por trás disso são milhares de pessoas que trabalham ate 16 horas por dia sem descanso e o resultado, como disse, é a agilidade (e barulho pra caramba!).

Eu não sei como não acontecem acidentes de transito por aqui… Estamos tratando de um pais que tem suas leis de transito muito recentes, um transito caótico e um índice mínimo de acidentes consideráveis. Em compensação prepare-se para se acostumar com buzinas e acredite, ficara expert em atravessar ruas! Se sair ileso e não for atropelado, não será nunca mais em nenhum lugar do mundo!

contraste no meio de grandes centros-2008,Shanghai

contraste no meio de grandes centros-2008,Shanghai

A China tem cheiro. É mesmo! Cheiro. Não consigo identificar e nem classificar (e olha que pra cheiros sou bem sensível), mas percebi quando dias desses sai da casa de um amigo brasileiro. A casa dele, claro, cheirava a Brasil. E então saindo de lá, sentindo novamente o cheiro da rua, me veio a nostalgia de quando pisei pela primeira vez no aeroporto de Pudong (eu disse nostalgia e não nojo veja só!). Aqui, deve-se fazer ate tijolo de arroz; e eles são cozidos em panelas elétricas, estas mais comuns que TV por aqui. E não sei, mas me parece que esse cheiro vem delas… não sei se foi por associação da minha parte, mas assim que dei o primeiro passo em direção ao metro saindo da casa desse meu amigo e percebi o “aroma” chinês,  me veio na cabeça um prato de arroz… Que doidera…

Por falar em arroz, falemos em comida, ai ai ai. Pimenta, ai mistura um pouquinho de pimenta, vinagre, noz-moscada, cominho, pimenta e pedaços de pimenta! Isso traduz um pouco do rango daqui! Problemas com pimenta?…Arroz com ovo, ovo com tomate em pedaços de carne que possa identificar sozinho, como asinhas de frango, por exemplo, se pedir sem pimenta, são muito saborosos!… Agora pergunto: sair para jantar com ou sem emoção? Se me diz sem, peca o cardápio acima num restaurante que tenha fotos dos pratos. Se me responde com emoção, inove, ouse, seja experimental, abuse da mímica, tenha bom humor e disposição, e, não queria saber muito a respeito de como foi preparado e do se trata o que esta a sua mesa! Pra mim com emoção, por favor!

Chinês é um caso serio. Ame ou odeie, de uma vez só em cinco minutos – será um dos livros que ainda escreverei! São receptivos, carinhosos, espontâneos (ate demais com os arrotos, os gritos, os cuspes…) e muito ágeis. São desconfiados, exploradores e oportunistas quando se trata de trabalho! Quando vou a uma cidadezinha do interior são incríveis algumas reações que encontro. Talvez lá, nunca tenham visto um estrangeiro de perto, ou nem saibam do que se trata e ai, você vira atração (ou bichinho de zoológico!). Te pegam pelo braço, querem tocar, saem correndo com medo, atravessam pro outro lado da rua, trancam os filhos em casa, e quando olha para trás, vê aquela multidão te seguindo sem a mínima discrição! Hilário!

Mas sempre que posso pego meu lápis, minha câmera, vou para um lugar publico, e faço minhas anotações sobre comportamento e situações. E os tenho em classificações homéricas!…rs

A poluição é fato! Visual, sonora, aérea, enfim. Mas, diferente da maioria dos estrangeiros que já passaram por aqui, não as tomo como ruins ou de todo prejudiciais a saúde!… .

Com tantas possíveis reclamações que eu poderia fazer e tantos defeitos que eu poderia implicar, prefiro ficar com a outra parte!

2008,Shanghai

2008,Shanghai

Ter entrado e conseguido me adaptar a uma cultura totalmente avessa, me fez um intensivão de 10 anos em 1, sob vários aspectos da minha vida. E isso me basta como compensação. Os lugares, as pessoas, a oportunidade, as observações me estão sendo fantásticas. Não troco esse tempo que estive aqui por nada no mundo. E não contente, me estendo aqui por mais alguns meses, de onde claro me renderam outros muitos posts pra contar!…

Nessa, vou me despedindo, deixando o conselho que:

*se puder, escolha um destino, pegue sua mala e vá de cabeça aberta, coração disposto e mente como esponja para absorver tudo o que consiga ao máximo que puder!…

Alem de plantar uma arvore, escrever um livro, praticar alguma atividade artística (ter um dragão de estimação) e salvar o mundo, conheça parte dele alem da sua casa! Vale uma vida inteira!

Fico no aguardo do próximo post!

Um grande beijo e obrigada pela paciência de ler este ate o fim! rss

Por enquanto, só!

Beijos,

Carol